Sou vegetariana por amor aos animais

Sou vegetariana por amor aos animais
COLHER OU MATAR, a escolha é sua
"Se os matadouros tivessem paredes de vidro
todos seriam vegetarianos."

(Paul e Linda Mc Cartney)



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domingo, 17 de novembro de 2013

IDADE DA PEDRA




                                                                       Pedro Israel Novaes de Almeida

Aos poucos, a humanidade vai perdendo parte de sua barbárie.
            A preocupação com animais e aves, assim como o cuidado com o meio ambiente, deixou de ser uma utopia vanguardista para integrar currículos formais, e fazer parte da cultura e tradição de um número cada vez maior de pessoas, até ocupar lugar de destaque em diversos diplomas legais, inclusive nossa Constituição.
            Outrora, animais eram imolados em rituais que louvavam deuses raivosos, sedentos de sangue. Peles e penas eram passaporte seguro a status valorizados, pouco importando a selvageria embutida em sua obtenção.
            A criação e manejo, inclusive o sacrifício, de animais destinados a pesquisas científicas e fabricação de vacinas, seguem rituais prescritos em normativos que buscam evitar a crueldade humana. Circos, ainda que tardiamente, acabaram proibidos de utilizarem animais em seus espetáculos.
            Animais domésticos, como cães e gatos, passaram a ser encarados como integrantes do complexo da saúde pública, e alguns municípios, poucos, estruturaram órgãos que tratam de zoonoses, além de gerir ou amparar iniciativas de adoção e asilo aos que se encontram em situação de abandono ou maltratos.
            Maltratar animais passou de desumanidade a crime, sob severa condenação social. Agricultores e pecuaristas, inicialmente vistos como avessos aos bons tratos e inimigos do meio ambiente, aliaram-se aos novos tempos, e hoje a maioria deles pratica atividades sustentáveis e a salutar convivência com os contemporâneos naturais.
            Contudo, alguns nichos de crueldade persistem, sustentados por poderosos e milionários interesses. O rodeio, que fustiga animais, impondo-lhes desesperadas reações, ainda é aplaudido por multidões, como de fosse prova de destemor e maestria o ridículo derrubar de um indefeso bezerro, chegando, por vezes, a matá-lo.
            Os rodeios, selvagens, são inconstitucionais, não obstante receberem apoio dos poderes públicos, mormente municipais. A alegação, já exaurida, de que geram emprego e renda, pode, com igual mérito, ser aplicada ao tráfico de drogas, que movimenta milhões, em cifras e pessoas.
            Apesar de reprimida, a briga de galos ainda é praticada, em centenas de rinhas Brasil afora, atraindo multidões de espectadores sedentos pela cena de sangramento ou morte das aves.
            Em matéria de respeito ao meio ambiente e animais, progredimos, mas ainda estamos distantes da plena conscientização. Numa sociedade que usa linhas com cerol, destrói monumentos públicos, vandaliza orelhões e jardins, passa trotes em serviços públicos, não joga o lixo no lixo, recebe diariamente notícias de corrupção e desmandos e torna a violência cada vez mais banalizada, certos respeitos parecem preciosismos.
            A barbárie está diminuindo, mas ainda é pouco.

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