Sou vegetariana por amor aos animais

Sou vegetariana por amor aos animais
COLHER OU MATAR, a escolha é sua
"Se os matadouros tivessem paredes de vidro
todos seriam vegetarianos."

(Paul e Linda Mc Cartney)



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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O Olho do Boi

O olho do boi
Cássio Camilo Almeida de Negri (médico e vegetariano)

Marcelo tinha 60 anos quando tudo aconteceu.
Sempre fora muito trabalhador, pessoa exemplar, e ainda menino, entrou para o seminário.
Era um dos melhores alunos, muito letrado, sempre tirando as notas máximas em latim, teologia, filosofia e estudo comparado das religiões.
Formou-se padre, encantou suas ovelhas nas diversas dioceses, chegou a monsenhor, bispo e arcebispo.
Sempre seguiu à risca todos os mandamentos, e nunca usara a batina, como alguns de seus colegas, para cobiçar a mulher do próximo e muito menos para atos de pedofilia.
No entanto, sempre gostara de uma boa e farta mesa, principalmente dos assados e churrascos de cabritos, carneiros, frangos e, principalmente, boi.
Claro que na Sexta-feira Santa, sempre guardava esse dia, não se alimentava de carne. Comia sim, bacalhau, peixes e frutos do mar, mas carne vermelha, nunca.
Sempre tivera ótima saúde e agora, estava ali, deitado numa cama de hospital. Acontecera tão rápido que nem ainda atinara para a situação delicada em que se achava.
Fora fazer um exame de ultra-som rotineiro e o diagnóstico dizia: “nódulos hepáticos compatíveis com metástases em olhos de boi”. Não entendera bem, mas seu médico vaticinou: -“são nódulos de um câncer que já se espalhou pelo seu organismo, vindos do intestino”
Entrou em desespero, a esperar pela morte. Sua mente divagou por entre pensamentos cinzas, embora já lera ou assistira em algum programa de televisão, não se lembrava bem, que pessoas grandes devoradoras de carne tinham muito mais chances de terem cânceres.
Então, começou a imaginar quantos animais haviam morrido para encher seu estômago. Via aqueles olhos escuros, grandes, cheios de ternura dos bois, a derramarem lágrimas a cada marretada que recebiam na fronte, tudo para encher sua barriga... E da fronte rompida pela marreta, da fresta aberta pelo “golpe mortal”, surgiam umas letras, que ao se organizarem, formavam um dos mandamentos que sempre estudara e não havia entendido toda a sua profundidade: “NÃO MATARÁS!”.

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