Sou vegetariana por amor aos animais

Sou vegetariana por amor aos animais
COLHER OU MATAR, a escolha é sua

"Se os matadouros tivessem paredes de vidro
todos seriam vegetarianos."

(Paul e Linda Mc Cartney)



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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Carne do Futuro

Experimentei essa nova linha de carnes vegetais e recomendo!
Tem linguiça, frango, peixe, carne moída, hambúrguer, tudo muito bem temperado.
Pode congelar.
Com o frango vegetal dá para fazer coxinhas, estrogonofe, salpicão, tortas.
Sei que muitos veganos/vegetarianos não gostam de nada que lembre carne, mas para quem está começando no vegetarianismo e no veganismo, recomendo muiiito!








 

sábado, 5 de dezembro de 2020

Ação social em prol do Pantanal



Ilustrações de Geraldo Victorino de França Júnior 






Vamos ajudar?

As máscaras já estão disponíveis.
Informações:
Email: abraceopantanal@gmail.com

Aquisição na Loja Espaço dos Pés
Av Dona Jane Conceição 1231
Praça Takaki
Piracicaba

Outros locais de venda:



sábado, 10 de outubro de 2020

Isso é cruel demais!




 A pobre mãezinha, adolescente ainda, prestes a dar a luz na rampa do matadouro...

😭
Isso é crueldade demais, humanos vivem ainda como se estivessem na Idade da Pedra... 😥

domingo, 4 de outubro de 2020

Ao meu Santinho de Assis



Ivana Maria França de Negri

Vós que fostes exemplo de humildade, andastes em andrajos e pés descalços no chão.
Vós que amastes a natureza e chamastes os astros do céu de irmão Sol e irmã Lua.
Vós que conversastes com os passarinhos e amansastes as feras da floresta apenas com vosso olhar pacífico e amoroso.
Vós que fostes poeta, pacifista, ecologista e protetor dos animais.
Vós que consolastes os sofredores, estendestes a mão aos pobres e curastes os doentes.
Vós que tivestes uma fé inabalável em Deus e jamais duvidastes da Justiça Divina.
Vós que passastes dias inteiros em arrebatamento, orando e meditando em silêncio contemplativo.
Vós que cantastes hinos em louvor ao Criador de todas as coisas com a alma sintonizada em etéreas dimensões.
Vós que abandonastes o conforto e as riquezas mundanas para viver recluso numa capelinha na montanha, escutai esta minha prece.
Peço neste dia, que derrameis vossa bênção e protegei todas as criaturas que não sabem falar, mas sentem dor, fome, sede, tristeza, como nós humanos, mas são tratadas com desdém.
Consolai as criaturas aladas presas em minúsculas gaiolas, pois nunca poderão adejar asas e voar felizes no azul do céu.
Amparai os que puxam carroças e têm o dorso coberto de escaras pelo açoite constante.
Livrai os bois de rodeio e os sangrados nas touradas desse sofrimento sem finalidade alguma que os humanos chamam de diversão.
Volvei vosso olhar de bondade às pobres cobaias de laboratório que têm seus corpos retalhados em vida, sentindo dores terríveis para servir à ciência.
Derramai também um bálsamo curativo que abrande a dor das feridas dos que são abatidos em caçadas, dos que são utilizados sem piedade em rituais religiosos, e dos que têm seu corpo descarnado para que suas vísceras sirvam de alimento ao homem.
Protegei os animais de circo, presos em jaulas pequenas e sempre à mercê de crueldade dos seres humanos.
Soprai nos corações pétreos dos homens, um pouco que seja da vossa infinita bondade a fim de que a misericórdia e a compaixão neles faça morada. Amém.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Sapatos feitos com material reciclado


Você já parou para pensar na quantidade de produtos reciclados que você usa? Você gostaria de aumentar esse número? Será que consegue fazer escolhas mais conscientes? Falaremos um pouco sobre como contribuir para menos lixo em nosso planeta, mas de uma forma diferente da usual, que seria somente reduzir o descarte no meio ambiente. Vamos entender sobre a reciclagem de produtos que iriam para o lixo e se tornaram belíssimas matérias-primas.Sabemos que todos nós temos a obrigação de reduzir o lixo depositado no ambiente e podemos colaborar para a conscientização da sociedade sobre os benefícios dessa atividade. Por isso resolvi te enviar este e-mail contando um pouco sobre o que fazemos aqui na Vegano Shoes, para dar a nossa contribuição. Penso também que é importante te passar essa informação, pois quanto mais informação temos, mais fácil se torna tomarmos nossas decisões.
Aprendemos que devemos cuidar do nosso lixo na hora do descarte, naquele momento em que fazemos a separação para a coleta seletiva. Sim,isso é muito importante, porém você já parou para pensar que no momento em que você escolhe comprar algo, também pode contribuir ?
Na Vegano Shoes você tem a prova disso. Estou sempre em busca da sustentabilidade, trabalhando a conscientização e a preservação do planeta. Procuro te entregar produtos inovadores e que tem algo mais, que não seja só um simples calçado ou acessório. Vou te apresentar uma linha que, na minha opinião é sensacional!
Um produto reciclado e inovador, com uma pegada de sustentabilidade, estilo, conforto e inovação! Impacto positivo na Natureza!
Por tudo isso, a linha Street, é considera com impacto positivo ao meio ambiente.
Veja mais sobre reciclagem, no Blog da Vegano Shoes
Concluímos então que não é somente na hora da separação do lixo que podemos contribuir com a reciclagem. Na hora da escolha, dê preferência aos produtos reciclados e contribua, na sua decisão de compra, com menos lixo descartado na natureza.
Você, já tinha pensado sobre isso? Que no momento que você decide comprar uma coisa ou outra, você pode escolher um produto com materiais reciclados e que tenham menos impacto no meio ambiente? Gostou dessa ideia de poder reciclar no momento que você esta tomando a decisão de compra?

Paz para os Animais!


sexta-feira, 31 de julho de 2020

Quanto maior o consumo de carnes, maior o risco de novas pandemias




Por que os animais têm esse papel tão importante no surgimento de novos patógenos?
É uma questão de proximidade evolutiva. Nós somos muito mais próximos de animais do que de plantas. Um vírus, uma bactéria ou um fungo que infecta uma planta tem que ter mecanismos biomoleculares para infectar uma célula vegetal, que é bastante diferente de uma célula animal como a nossa. Não é que não exista, mas é muito difícil que um patógeno adaptado para infectar a célula de uma planta faça um salto tão grande para uma célula tão diferente.

Os sistemas de criação intensiva também contribuem para a disseminação dos patógenos. Neles, os animais são criados em altas densidades e a transmissão viral de um animal para o outro é facilitada. São também mais propensos a infecções, pois estão imunossuprimidos e em condições crônicas de estresse, pelas intervenções que eles sofrem, a alta densidade, a falta de estímulos sociais, a homogeneidade genética e a falta de luz. E estão em ambientes fechados, nos quais os excrementos são depositados no próprio local e evaporam. A qualidade do ar costuma ser muito baixa, com alta concentração de amônia fecal e uma série de outros poluentes. Isso prejudica a primeira barreira de defesa contra infecções, que é o trato respiratório.



domingo, 19 de julho de 2020

Carnivorismo é assassinato

(Arte de Cynical Coyote)

Afinal, ainda que haja o reconhecimento da violência e da morte, sabemos que muitas pessoas preferem não saber de que forma isso ocorre – o que é uma defesa pela manutenção de hábitos. Em síntese, “se sei que a violência existe, mas não a vejo, isso torna mais fácil ignorá-la, não confrontá-la”.

terça-feira, 28 de abril de 2020

Vegetais não sentem dor

Eis um gráfico comparativo entre anatomia de um animal e uma planta

Animais possuem sistema nervoso, cérebro e por isso têm sentimentos e sentem dor.
Já um vegetal, não possui sistema nervoso, por isso não sente dor. Não tem olhos, ouvidos, e nariz. Não sangram se forem cortados. Eis a grande diferença

terça-feira, 31 de março de 2020

Em tempos de isolamento social


Por causa da pandemia do coronavírus, os governantes do mundo todo, para conter a epidemia,  estão aconselhando as pessoas a ficarem em casa.
Alguns países até proíbem, sob pena de multas e prisão, quem for pego andando pelas ruas sem motivo (permitido apenas ir de vez em quando em supermercado ou farmácia), pois em algumas localidades o vírus infectou muita gente e as mortes estão aumentando.
E vejo pessoas reclamando de ter de ficar em casa, no conforto do seu lar, com a família, com TV, Netflix, ar condicionado, cama macia, água à vontade  e comida na geladeira.
Mas imaginem-se numa prisão, onde não possa nem se mexer, onde é obrigado a dormir sobre os próprios dejetos, dia e noite, só para engorda rápida e abate em menos tempo. Essa é a vida de porcos confinados. A indústria só visa o lucro (engorda rápida, matadouro mais cedo)  e não está nem aí para o sofrimento dos animais.
O seu bacon, sua linguiça, sua salsicha, têm um preço. E é muito alto! São vidas que sofrem desde o nascimento até a hora de irem para o matadouro. E quem come dessa carne sofrida,  assimila em seu espírito toda essa negatividade. Literalmente come sofrimento, dor, angústia.
Que essa quarentena sirva para profunda reflexão.
O que estamos a fazer com nossos irmãos? Sim, eles são nossos irmãos, apenas um degrau abaixo na escala da evolução.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Origem do Corona Vírus

Como começou

O surto inicial atingiu pessoas que tiveram alguma associação a um mercado de frutos do mar em Wuhan – o que despertou a suspeita de que a transmissão desta variação de coronavírus ocorreu entre animais marinhos e humanos. O mercado foi fechado para limpeza e desinfecção.

 Sopa de morcegos pode ter sido o início da propagação do vírus

Uma análise genética sugere que a disseminação do coronavírus entre humanos na China pode ter origem nos morcegos e nas cobras. Mais especificamente, em uma sopa feita com carne de morcego e consumida na cidade de Wuhan, o principal foco do coronavírus. A doença já causou 17 mortes e infecção em mais de 600 pessoas. 
No preparo da tal sopa, o morcego é cozido inteiro, com a barriga aberta. Imagens da iguaria se multiplicaram nas redes sociais após o início da propagação do vírus, segundo o jornal "Daily Star".

Sopa de morcego é iguaria culinária da cidade apontada como foco do coronavírus na China. Foto: Reprodução
Estudos
Um estudo, publicado, na última terça-feira (20),na revista "Science China Life Sciences", e patrocinado pela Academia Chinesa de Ciências de Pequim, analisou a relação entre a nova cepa e outros vírus.
O estudo aponta que o coronavírus - que surgiu na cidade de Wuhan - está estreitamente relacionado a uma cepa existente em morcegos.
"O fato de os morcegos serem os hospedeiros nativos do Wuhan CoV (coronavírus) seria um raciocínio lógico e conveniente, embora ainda seja provável que haja hospedeiros intermediários na rede de transmissão de morcegos aos seres humanos", afirmam os pesquisadores no estudo. 
Essa pesquisa não especulou sobre qual animal poderia ter sido um "hospedeiro intermediário", mas um segundo estudo da Universidade de Pequim, publicado nesta quinta-feira (22) no "Journal of Medical Virology", identifica as cobras como possíveis transmissoras.
De acordo com a revista “New Scientist”, a pesquisa comparou o genoma de cinco amostras do novo vírus com 217 vírus parecidos coletados em várias espécies. A conclusão foi de que o novo coronavírus, identificado como 2019-nCoV, tem semelhanças tanto com o  vírus encontrado em morcegos, quanto com o vírus encontrado em cobras.
(Com informações do portal Extra)

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Fezes, entranhas e sangue’: confissões de um ex-funcionário de abatedouro



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Quando eu era criança, sonhava em ser veterinário. Me imaginava brincando com filhotes travessos, acalmando gatinhos assustados e — como eu cresci na zona rural — fazendo check-ups em animais das fazendas locais que não estivessem se sentindo bem.
Eu sonhava com uma vida ideal — mas infelizmente não foi bem assim que as coisas aconteceram. Em vez de realizar meu sonho de infância, acabei indo trabalhar em um abatedouro de animais.
Fiquei lá por seis anos e, longe de passar os dias fazendo as vacas se sentirem melhor, eu era responsável por garantir que cerca de 250 delas fossem mortas todos os dias.
Quer consumam carne ou não, a maioria das pessoas no Reino Unido nunca visitou um abatedouro — e por um bom motivo. São lugares sujos, imundos. Há fezes de animais no chão, você vê e sente o cheiro das entranhas, e as paredes são cobertas de sangue.
E o cheiro… o atinge como um soco quando você entra, e depois continua no ar ao seu redor. O odor de animais morrendo te cerca como um vapor.
Porque alguém iria visitar, ou pior ainda, trabalhar, em um lugar desses? BBC
Para mim, aconteceu porque eu já tinha trabalhado por algumas décadas na indústria alimentícia — em fábricas de congelados e coisas do tipo. Então quando recebi uma oferta de um abatedouro para ser gerente de controle de qualidade, trabalhando diretamente com os matadores, eu senti que era uma mudança de emprego pequena. Eu tinha 40 e poucos anos na época.
No meu primeiro dia, fizeram um tour dos prédios comigo, explicando como tudo funcionava e, principalmente, me perguntando o tempo todo se eu estava bem. Eles explicaram que era bem comum que as pessoas desmaiassem durante o tour, e a segurança física dos visitantes e novos funcionários era muito importante para eles. Eu estava bem, eu acho. Eu me senti enjoado, mas achei que iria me acostumar.
Não demorou muito, no entanto, para eu perceber que não fazia sentido eu continuar fingindo que era apenas mais um trabalho. Não sei se todos os abatedouros são iguais, mas o meu era um lugar brutal e perigoso para trabalhar. Houve diversas ocasiões nas quais, apesar de seguir todos os procedimentos para a morte dos animais com uma pistola de ar, os matadores eram chutados por fortes espasmos das vacas que estavam sendo levadas para as máquinas de abatimento. BBC
Outras vezes, as vacas sendo levadas ficavam com medo e entravam em pânico, o que era muito assustador para todos nós. Se você já esteve perto de uma vaca, sabe que elas são enormes.
Eu, pessoalmente, não sofri nenhum ferimento físico, mas o lugar afetou minha cabeça.
Conforme eu passava dia após dia naquele lugar, uma caixa sem janelas, meu peito parecia cada vez mais pesado e uma névoa cinzenta desceu sobre mim. À noite, eu era perturbado por pesadelos, que correspondiam a alguns dos horrores que eu testemunhava durante o dia.
Uma habilidade que você domina trabalhando em um abatedouro é a desassociação. Você aprende a se tornar insensível à morte e ao sofrimento. Em vez de pensar nas vacas como seres vivos, você as separa em suas partes vendáveis e comestíveis. Isso não apenas torna o trabalho mais fácil, mas é necessário para a sobrevivência. BBC
Há coisas, no entanto, que são capazes de te tirar desse estado de adormecimento. Para mim, eram as cabeças.
No fim da linha de abatimento havia uma grande caçamba que era enchida de centenas de cabeças de vaca. Cada uma delas tinha sido esfolada, com o couro todo removido. Mas uma coisa ainda estava lá — os olhos.
Sempre que eu passava por aquela caçamba, sentia como se aqueles centenas de pares de olhos estivessem me observando. Alguns deles eram acusatórios, sabiam que eu havia contribuído para suas mortes. Outros pareciam estar implorando, como se houvesse algum jeito de voltar no tempo e salvá-los. Era nojento, aterrorizante e de partir o coração, tudo ao mesmo tempo. Fazia eu me sentir culpado. A primeira vez que eu vi aquelas cabeças, precisei de todas as minhas forças para não vomitar.
Eu sabia que coisas como aquela também incomodavam os outros trabalhadores. Eu nunca vou esquecer do dia em que, alguns meses depois de eu começar a trabalhar, um dos rapazes fez um corte na barriga de uma vaca recém-abatida para limpar os miúdos. Assim que ele abriu a barriga, caiu um feto de um bezerro. Ela estava grávida. Ele imediatamente começou a gritar e agitar os braços. BBC
Eu o levei para um sala de reunião para acalmá-lo. E tudo o que ele conseguia dizer era “não tá certo, não tá certo”, sem parar. Aqueles eram homens duros, que raramente mostravam qualquer emoção. Mas eu pude ver as lágrimas saindo de seus olhos.
Pior do que as vacas grávidas, entretanto, eram os jovem bezerros que às vezes tínhamos que matar.
Em seu site, a Associação Britânica de Produtores de Carnes (BMPA) diz que a indústria de carne do Reino Unido tem os dos mais altos padrões de higiene e de bem-estar animal do mundo.
A entidade diz que muitos de seus membros estão “na vanguarda do desenvolvimento de abatedores e instalações projetadas para abrigar os animais e ajudá-los a se mover com facilidade e sem dor, estresse ou sofrimento”.
É uma indústria que emprega 75 mil pessoas, das quais 69% são de outros países da União Europeia, segundo a BMPA.
“A barreira para britânicos aceitarem trabalhos no processamento de carne é a indisposição para trabalhar em um ambiente percebido como desafiador”, diz a entidade. “A maioria das pessoas, embora coma carne, acha difícil trabalhar na sua produção em parte por causa da óbvia aversão ao processo de abatimento, mas também porque é um trabalho fisicamente exigente.”
Eu trabalhei em um abatedouro bem depois, após 2010, mas se um único animal fosse diagnosticado com uma das doenças, o rebanho inteiro tinha que ser sacrificado – touros, vacas jovens e bezerros. Eu lembro de um dia em especial, quando fazia cerca de um ano que eu trabalhava lá, e tivemos que matar cinco bezerros ao mesmo tempo.
Nós tentamos mantê-los dentro das grades dos compartimentos, mas eles eram tão pequenos e magros que conseguiam facilmente sair e andar pelo lugar, um pouquinho bambos em suas pernas de recém-nascidos. Eles nos cheiraram, como filhotes, porque eram jovens e curiosos. Alguns dos rapazes e eu fizemos carinho neles, e eles lamberam nossos dedos.
Quando chegou a hora de matá-los, foi difícil, tanto emocionalmente como fisicamente. Abatedouros são projetados para matar animais realmente grandes, então as caixas para abatimento são do tamanho certo para abrigar uma vaga de cerca de uma tonelada. Quando colocamos o primeiro filhote, ele não preencheu nem um quarto do peso. Colocamos todos os cinco bezerros de uma vez. Então os matamos.
Depois, olhando para os animais mortos no chão, os matadores estavam visivelmente incomodados. BBC NEWS BRASIL
Eu raramente os via tão vulneráveis. No abatedouro, as emoções tendiam a ser sufocadas. Ninguém falava sobre seus sentimentos; havia uma enorme sensação de que não era permitido demonstrar fraqueza.
Além disso, havia muitos trabalhadores que não seriam capazes de falar sobre seus sentimentos com o resto de nós mesmo se quisessem. Muitos eram imigrantes, predominantemente do Leste Europeu, e o inglês deles não era bom o suficiente para que procurassem ajuda caso estivessem enfrentando dificuldades.
Muitos dos homens com os quais eu trabalhava também tinham outros empregos, mesmo depois de 10 ou 11 horas no abatedouro. E a exaustão levava a outros problemas — alguns se tornaram alcoólatras, com frequência indo ao trabalho cheirando fortemente a bebida.
Outros se tornaram viciados em energéticos, e mais de um deles teve um ataque cardíaco. Depois disso, os energéticos foram tirados das máquinas de vendas automáticas do abatedouro, mas as pessoas continuaram levando as bebidas de casa e bebendo secretamente em seus carros.
Pesquisas também relacionam o trabalho no abatedouro com problemas de saúde mental. Um pesquisador usa o termo “Síndrome Traumática Induzida ao Perpetrador” para se referir aos sintomas de estresse pós-traumático sofridos pelos trabalhadores.
Eu tive depressão, uma doença ampliada pelas longas horas no escritório, pelo trabalho incansável e por estar cercado de morte. Depois de um tempo, eu comecei a ter pensamentos suicidas.
Ainda não está claro se o trabalho no abatedouro causa esses problemas ou se esse tipo de emprego atrai pessoas com doenças pré-existentes. De qualquer forma, é um trabalho incrivelmente solitário, que te isola dos outros, e é difícil procurar ajuda.
Quando eu contava para as pessoas o que fazia para viver, a reação ou era repulsa total ou uma fascinação curiosa, piadista. De um jeito ou de outro, eu nunca conseguia me abrir para as pessoas sobre o efeito que isso tinha em mim. Em vez disso, eu às vezes fazia piada junto com eles, contando anedotas nojentas sobre esfolar uma vaca ou lidar com os intestinos. Mas na maior parte do tempo eu simplesmente não falava sobre o assunto.
Eu trabalhava já há alguns anos no abatedouro quando um colega começou a fazer comentários de que “não estaria mais ali em seis meses”. Todo mundo ria. Ele era um piadista, então as pessoas presumiam que ele estava querendo brincar, dizendo que tinha um novo trabalho ou algo assim. Mas isso me fez ficar perturbado.
BBC

Levei-o para uma sala e perguntei o que ele queria dizer com aquilo. Ele desabou. Admitiu que estava assombrado por pensamentos suicidas, que sentia que não conseguia mais lidar e que precisava de ajuda — mas implorou para que eu não contasse para nossos chefes.
Eu consegui ajudá-lo a conseguir ajuda com seu médico (do sistema de saúde pública britânico). E, ao ajudá-lo, eu percebi que eu também precisava de ajuda. Senti que as coisas horrorosas que eu estava vendo nublavam meus pensamentos, e eu estava em um estado profundo de depressão. Perceber isso foi um grande passo, mas eu precisava sair de lá.
Depois que deixei o emprego no abatedouro, as coisas começaram a melhorar. Eu mudei de completamente de área e comecei a trabalhar com organizações de caridade que tratam de saúde mental, encorajando as pessoas a se abrirem sobre seus sentimentos e procurarem ajuda profissional — mesmo quando elas acham que não precisam, ou sentem que não merecem.
Alguns meses depois de sair, eu tive notícias de um dos meus ex-colegas. Ele me contou que um homem que tinha trabalhado com a gente, e que tinha o trabalho e esfolar as carcaças, separando a carne do couro, havia se matado.
Às vezes eu me lembro da época em que trabalhei no abatedouro. Penso nos meus ex-colegas trabalhando sem descanso, como se estivessem andando através da água em um vasto oceano, com terra seca completamente longe de vista. Eu me lembro dos meus colegas que não sobreviveram.
E à noite, quando fecho os olhos e tento dormir, às vezes eu ainda vejo os centenas de pares de olhos me observando no escuro.
Relato feito à Ashitha Nagesh / Ilustrações de Katie Horwich Fonte: BBC via R7

Nota do Olhar Animal: O relato todo se concentra nas sensações do funcionário, no impacto que lhe causou viver num ambiente terrível como o de um matadouro. Interessante que a sua percepção se torne pública. É bom lembrar que os animais também tem sua psique. Em especial bois e vacas, seres extremamente sensíveis. E que são da mesma forma suscetíveis ao sofrimento psicológico, como os humanos. Se o funcionário sentiu tudo isso que descreveu, imagine o terror vivido diariamente pelos animais que SABEM que vão morrer. Basta assistir a vídeos que mostram a ‘fila da morte’ a caminho do abate para verificar facilmente o desespero dos animais, seja em suas expressões, seja na reação de quererem voltar. Que triste que muitas pessoas não tenham sensibilidade para o mal que elas próprias causam a não abrirem mão do gosto de carne, do leite, etc.